18/11/2016

Resenha: Nosferatu - Joe Hill

Título: Nosferatu
Autor: Joe Hill
Editora: Arqueiro
Páginas: 624
Compre: aqui
Sinopse: Victoria McQueen tem um misterioso dom: por meio de uma ponte no bosque perto de sua casa, ela consegue chegar de bicicleta a qualquer lugar no mundo e encontrar coisas perdidas. Vic mantém segredo sobre essa sua estranha capacidade, pois sabe que ninguém acreditaria. Ela própria não entende muito bem. Charles Talent Manx também tem um dom especial. Seu Rolls-Royce lhe permite levar crianças para passear por vias ocultas que conduzem a um tenebroso parque de diversões: a Terra do Natal. A viagem pela autoestrada da perversa imaginação de Charlie transforma seus preciosos passageiros, deixando-os tão aterrorizantes quanto seu aparente benfeitor. E chega então o dia em que Vic sai atrás de encrenca... e acaba encontrando Charlie. Mas isso faz muito tempo e Vic, a única criança que já conseguiu escapar, agora é uma adulta que tenta desesperadamente esquecer o que passou. Porém, Charlie Manx só vai descansar quando tiver conseguido se vingar. E ele está atrás de algo muito especial para Vic. Perturbador, fascinante e repleto de reviravoltas carregadas de emoção, a obra-prima fantasmagórica e cruelmente brincalhona de Hill é uma viagem alucinante ao mundo do terror.


Sendo nada mais nada menos do que filho de Stephen King, é claro que Joe Hill só poderia criar uma obra-prima. Não li muitos livros do Stephen King para comparar um e outro e na verdade essa nem é a intenção, mas o fato é que o cara aprendeu muito bem a fazer um terror/suspense ao longo dos seus livros. Tive a chance de ler os outros livros do Hill e ao iniciar a leitura de Nosferatu cheguei a seguinte conclusão: O inicio dos seus livros são monótonos e muitas vezes da vontade de desistir, porém quando o leitor finalmente começa a se conectar com a história e seus personagens a leitura acaba fluindo de uma forma que fica até difícil tentar explicar. Ao finalizar a leitura é quase certo que o leitor apenas fique refletindo por vários minutos pensando “noooossa!“.

O livro nos da um panorama da vida da protagonista, Vic. Somos apresentados à sua infância e em como ela descobriu seu misterioso dom de encontrar coisas perdidas e viajar para qualquer lugar usando apenas a sua bicicleta. Passamos por sua adolescência (período em que sua vida começou a ficar conturbada) até o momento em que ela decide que quer arrumar uma encrenca e sua bicicleta a leva até Manx, o grande vilão da história. Manx é um homem velho de aparência feia, sua descrição bate perfeitamente com o próprio Nosferatu. Ele também possui dons semelhantes ao da Vic, porém ele usa seu carro para atravessar até a Terra do Natal. Durante a leitura muitas coisas ficam implícitas sobre o que Manx faz com as crianças que sequestra, e tudo que se sabe é que essas crianças nunca mais foram vistas. Quando Vic encontra Manx ela não é mais uma criança, na realidade ela tem 17 anos, e o velho gosta dos mais novos; Ela consegue fugir dele e também coloca-lo na cadeia, e é por isso que após sair tudo o que ele quer é vingança. Sim, me desculpa. Eu sei que não costumo fazer isso nas minhas resenhas e geralmente não gosto de ler resenhas que são assim, mas o livro é tão grande, tão complexo e cheio de pequenos personagens com suas histórias paralelas que eu senti a necessidade de explicar um pouco do enredo antes de dar continuidade.
Se os olhos eram as janelas da alma, os do Homem da Máscara de Gás proporcionaram a visão de um vazio profundo.
De todos os livros lançados pelo Hill até o momento com certeza esse é o melhor. A forma como ele desenvolveu a história, inserindo personagens ao longo da narrativa que aparentemente não serviria para nada, mas que no final acabaram se conectando com todo o resto, foi de tirar o folego. O livro é cheio de detalhes, muitas vezes desnecessários, que nos dá uma ideia geral do ambiente e dos acontecimentos. Nós não achamos que os detalhes são importantes até, finalmente, perceber o motivo do autor ter colocado eles ali. Em alguns momentos durante a leitura me vi indo contra Vic e a favor de Manx. Me vi desacreditando em sua sanidade e questionando se tudo não era apenas fruto da sua cabeça louquinha. Apesar de Vic ser uma ótima personagem, acho que Manx se tornou meu preferido. Hill soube construir um ótimo vilão e não porque ele é pura maldade, vilões assim são apenas vilões e não atraí ninguém. Ele é um ótimo vilão pois suas cenas deixam o leitor cheio de dúvidas sobre a sua maldade, suas cenas deixam o leitor até com pena em alguns momentos, suas cenas nos fazem rir e até ganha nossa simpatia. Manx é o vilão perfeito pois consegue enganar o leitor da mesma forma que engana as criancinhas.

Acho que vale dizer que Nosferatu não é um livro com final surpreendente de cair o queixo. Ao terminar o livro, por um minuto, achei ele bem nonsense, mas quando pensei em todo o contexto da história ele fez todo o sentido. Nosferatu não é o tipo de livro que te deixa com medo e sim angustiada. É um ótimo livro para sair da zona de conforto, caso não seja fã do gênero. É um ótimo livro para tentar entender um pouco mais de fantasia e loucura. E claro, é um ótimo livro para quem ama o Natal! Afinal, quem é que não gostaria de viver o Natal todos os dias?
Isso parecia uma alucinação, mas só até você lembrar que as pessoas viviam transformando o imaginário em real: pegavam uma música que inventavam e gravavam, visualizavam uma casa e a construíam. A fantasia era sempre uma realidade esperando ser ativada, só isso.


7 comentários:

  1. Eu li um livro dele,A Estrada da Noite,eu gostei bastante e confesso que super concordo contigo que o começo é sempre monótono e depois melhora muito.Tenho vontade de ler Nosferatu,mas nunca tinha visto a quantidade de páginas.Quem sabe eu compro agora na BF.

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  2. Oi Sil!
    Ótima resenha. Li dois livros do autor, Estrada da Noite que foi bem parado mesmo no início, e O Pacto que eu adorei!!
    Tenho muita expectativa sobre esse livro, e a forma como Joe Hill parece construir os personagens nessa história, me deixou mais interessada ainda.
    Beijo

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  3. Olá!
    Sabe que eu descobri esse ano que ele era filho do King? hahaha muito perdida!
    Então, eu li dois livros do autor, e confesso que não gostei tanto quanto eu esperava. Sim, a escrita dele é ótima, mas não curti muito as tramas. Gostei de saber que você considera esse o melhor livro dele, assim fico mais animada. Espero realmente que seja melhor que os outros.
    Gostei da trama, e achei interessante que os detalhes aparentam ser desnecessário na hora, mas depois são importantes. Vou anotar a dica e prestar bastante atenção.
    beijos
    www.apenasumvicio.com

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  4. Olá! Não sabia que ele era filho do Stephen King e adorei saber que temos um escritor filho de um escritor tão famoso que segue os passos do pai inclusive no gênero de escrita. Eu fiquei um pouco angustiada com a parte do suspense, esse cara que pega as criancinhas e elas desaparecem para sempre. Para mim é difícil me identificar com histórias que trazem boa parte de fantasia, em que ela é a parte principal do livro, em fim... vou tentar vencer esse meu limite e dar uma chance ao livro, pois amo quando termino a leitura e fico alguns momentos pensando, tentando entender até cair a ficha, como aconteceu com você. Valeu a dica!
    Beijos!

    Karla Samira
    http://pacoteliterario.blogspot.com.br/

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  5. Acredita que nunca li nada só King?? E também não imaginava que esse autor era o filho dele. Tem razão de ter criado uma história om personagens tão vivo. Apesar desse não ser um livro que não curta o gênero, eu me interessei muito pela história.
    Talvez eu leia o livro.
    Bjss

    http://livrosemarshmallows.blogspot.com.br/

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  6. Oiii... eu sou apaixonada por essa capa, mais ainda não tive a chance de ler esse livro.
    Adoro histórias assim, que surpreende no final! Sua resenha me deixou doida pela leitura!
    Dica anotadissima!!! <3
    Bjus

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  7. Oi Sil, sua linda, tudo bem?
    Eu já tentei ler dois livros do Stephen King e não consegui, e peguei dois famosos dele. Não consegui me envolver com as história por causa da narrativa dele. Por isso quando soube que esse livro foi escrito pelo filho dele, confesso que não tive interesse em ler. Mas você está elogiando tanto, que tenho certeza que os fãs irão gostar. Sua resenha ficou ótima!!!
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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