14/03/2016

Resenha: Distopia - Kate Willians


Título: Distopia
Autor: Kate Willians
Editora: Arwen
Ano: 2015
Páginas: 318
Sinopse: Em uma sociedade governada por militantes, com um sistema incorruptível, as crianças são isoladas no regimento militar aos sete anos de idade e treinadas para serem soldados. Lá, eles aprendem da forma mais cruel a atirar e a matar, perdendo muito cedo a sua inocência. Depois da Grande Guerra, o mundo passou a ser dividido entre governantes e governados e cada um tem as suas dores, suas mágoas e limitações. E o que nos resta saber é: de qual lado você está? Porque no final das contas, não estamos vestidos para lutar... Assim como nunca estaremos vestidos para morrer...

Distopia se passa no ano de 2064, depois de a Grande Guerra em 2016, que transformou o mundo em um caos. Quando esta finalmente chegou ao fim e a maior parte da população mundial tinha sucumbido, inclusive os maiores líderes políticos, quatro coronéis se juntaram para por ordem e preservar o resto da humanidade. O mundo foi dividido em 4 regiões, o Norte, Sul, Leste e Oeste, onde cada coronel ficou responsável por um lugar e as pessoas se dirigiram para as localidades. O foco do livro é o Norte, comandado agora pelo coronel Leone. 
O Norte (e todo o resto) é separado em "governantes", que são as pessoas com uma boa condição de vida, e os "governados", que vivem uma vida bem difícil.
Ao completar 7 anos, os governados são mandados para dentro do Regimento para serem treinados e virarem soldados, sendo este, um processo cruel. Os meninos são afastados de suas famílias, sendo orientados até mesmo a esquece-los. Agora, sua vida é o Regimento e seu dever é protege-lo. 
O foco do livro é em Laura, filha do coronel do Norte e em Thiago, um dos meninos do Regimento. Alternando os capítulos entre eles, vamos conhecer melhor a rotina do Regimento, seus pensamentos e medos mais profundos e sua vontade de se libertar. 

Eu estava com muita vontade de ler este livro e por isso quando tive a oportunidade, não demorei e o solicitei. Minhas expectativas eram altíssimas e talvez isso tenha me atrapalhado. Vejam bem, eu esperava uma coisa diferente do que a que encontrei no livro. 
Com um nome desses e uma capa dessas eu esperava uma história forte, pesada. Eu esperava um mundo distópico 100% cruel e sanguinário mas a história que encontrei, para o meu gosto, foi leve. Acho que eu poderia descrever como uma distopia juvenil. A idade dos nossos protagonistas é de 15, 16 anos, e claro que isso não quer dizer nada, mas creio que talvez por isso, a história tenha sido mais branda. Ou a intenção da autora era essa mesmo e eu que tive a impressão errada! 

Não posso dizer que fiquei decepcionada. A história que a Kate criou continua sendo fantástica. É um mundo distópico bem provável e se pensarmos que ele teve o início em 2016 bom, da um certo medinho rs A escrita da autora é envolvente e rápida, muito gostosa de se ler. Gostei muito de cenário em que o livro se passa e das críticas presentes na história. É normal vermos críticas à sociedade em livros do gênero mas achei que a Kate foi além, fez críticas bem fortes ao desfavorecimentos das mulheres e senti uma pitada de crítica ao preconceito com homossexuais. E todas as críticas foram inseridas de maneira singela na narrativa, aparecendo aqui e ali, sendo o pano de fundo mas sem lotar excessivamente a história, dando margem para que os leitores tirassem suas próprias conclusões da situação. 

É interessante o modo como ela demonstra também, no caso da história, que nem sempre os privilegiados tem mesmo uma vida melhor. Todos, governantes e governados, sofrem com a falta de liberdade e conhecimento, sendo obrigados a cumprir papéis previamente determinados por essa sociedade. 

Infelizmente não me afeiçoei a personagem Laura, achei ela mimada e irritante durante o livro todo. Ela tem sim uma evolução durante a história e tem ideais e ações muito dignas, mas o tempo todo achei-a estressante. Ela nunca perde seu jeitinho um pouco egoísta e mimado, de quem faz birra para conseguir o que quer. Já Thiago foi um personagem interessante, jovem mas sábio, que luta por aquilo que acredita. Todos os personagens foram interessantemente construídos e tiveram partes importantes na história, a maioria tendo alguma evolução. Porém, acho que a autora pecou ao representar os meninos novinhos. Para crianças de 7 anos de idade, eles pensavam e agiam com adultos. Por mais que a situação fosse extrema e rígida, o que causaria mesmo um amadurecimento precoce, acho que essa caracterização extrapolou um pouco.

Apesar da premissa perfeita e enredo bom, a história foi muito corrida. Para alguns pode ser bom porque realmente não há enrolação e as coisas acontecem rapidamente, mas na minha opinião, a autora poderia ter desacelerado um pouco e se aprofundado mais em algumas coisas, como a relação de Laura e Thiago, a condição de Stephen, irmão de Laura, entre outras coisas. A história deixa um gancho para um próximo volume, mas talvez, se houvesse esse maior aprofundamento, o grande acontecimento final desse livro pudesse ser deixado para o próximo, criando um sentimento maior de ansiedade. Bom, essa é uma opinião minha mesmo. 

A edição da Editora Arwen é lindíssima! A capa é toda metalizada, tem umas folhas negras no começo e para separar as partes do livro (adoro tudo em preto, acho chique), a qualidade do papel é muito boa e as letras estão ótimas, tudo bem pensado para uma ótima leitura. Infelizmente encontrei vários errinhos durante o livro e uma coisa me incomodou muito durante a leitura: os diálogos. Não as falas propriamente ditas, mas como ele foi montado. Numa mesma linha tínhamos a fala de um e a reação de outro, o que as vezes me confundia sobre quem estava falando. 

Você que está lendo essa resenha e chegou até aqui (ufa!) pode achar que eu só falei negativamente e que o livro é ruim mas NÃAAAAO. É uma boa história sim! E eu gostei muito de ler, mas pro meu gosto, ela poderia ser melhorada para uma segunda edição, talvez. 
Recomendo-a sim pra você que ta afim de ler uma coisa diferente e estimulante e com certeza quero ler outros livros da autora! 


18 comentários:

  1. Oi Nath!

    Cara, qdo vi sua classificação no começo da resenha, fiquei decepcionada, pq ao contrario de vc, eu COMPREI esse livro! kkkkkkk Fui na sessão de autógrafos pq a autora mora aqui na minha cidade u.u rsrsrsrsrsr

    Bem, percebi que apesar dos pontos negativos, vc gostou da obra, e isso me deixou mais aliviada! Pretendo lê-lo neste ano ainda, veremos!

    Bjo bjo^^

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  2. Oi Nath, tudo bem?
    Eu já li esse livro em ebook, e como o próprio título já informa sobre o gênero, eu sou fascinada nessas histórias. Concordo com você em alguns pontos, e ainda afirmo mesmo que os leitores precisam dar uma chance, afinal a história tem seus pontos interessantes sim. Também quero ler outros livros da autora.
    Beijos, Fer

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  3. Oi Nath!

    Toda vez que eu vou ler uma distopia, seja ela qual for, já espero uma história mais pesada justamente pelo fato de ser uma distopia, se não, não tem sentido. O enredo parece ser muito bom mesmo, a ideia da autora de dividir o mundo em Norte, Sul, Leste e Oeste foi muito interessante e o modo de governo também. Pena que não foi muito bem trabalhado, né? Mas que bom que p saldo final da leitura foi bom.

    P.s.: desisti do livro quando falou que a Laura é chatinha e mimada, bjs.

    Beijo!
    http://www.roendolivros.com

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  4. O Nath! Me interesso muito por essas histórias futuristas, eu gostei da sua resenha e achei bem sincera. Beijos.

    Visite: http://carpediemmica.blogspot.com.br/

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  5. Oii! Já tinha lido sobre o livro, me interessei mto, adoro livros assim...esse ano ainda qro ler, apesar da lista tá enorme .... Haha mais vamo tentar né ... Bjs

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  6. Olá, eu li esse livro em PFD (cedido pela autora) ainda antes de ser publicado e gostei muito do enredo. Demorei um pouco para me acostumar com a leitura, porque não gosto muito de distopias mas dessa eu gostei bastante. É uma pequena que você tenha tido esses "desencontros" com a história. Não sei dizer sobre esses detalhes que você mencionou, mas pelo que você falou, uma segunda edição poderia melhorar sim. Beijos

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  7. Oiii, tudo bem?
    Menina pensei que voceê tinha odiado esse livro, fiquei com o coração na mão porque quero muito realizar a leitura deste livro kkkkkkkkkkkk fico feliz que tenha gostado <3 e isso me deixou mais aliviada.
    Beijão

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  8. Olá, Nathalia.
    Eu tenho muita vontade de ler esse livros desde que lançou. Eu já li uma resenha com a opinião bem parecida com a sua hehe. Pelo nome do livro e pela capa também, a gente já esperava algo bem forte mesmo. Mas ainda assim eu quero ler, mas já vou sem grandes expectativas para poder apreciar a história.

    Blog Prefácio

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  9. Oi Nati, vi você falando desse livro acho que foi em uma caixinha do correio. Serei sincera achei um pouco clichê isso de dividir em quatro regiões, você acaba se lembrando de outras distopias. Quando leio um livro com expectativas elevadas acabo me decepcionando de alguma maneira. Achei interessante isso das críticas a temas tão presentes na nossa sociedade. Beijos.

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  10. Oi Nath!

    Apesar de Fada Madrinha da Kate ter chamado muito minha atenção, com Distopia não aconteceu isso, mesmo apreciando o gênero a qual ele é, sua sinopse em si não me deixou curiosa, por um lado é bom, já que vários pontos citados na resenha realmente me deixariam bem irritada, não gosto de enredos rapidos demais, isso me incomoda, parece que o escritor deixou coisa faltando, quanto a caracterização dos personagens e seus ideias mais adultos é algo que talvez a autora possa trabalhar no futuro, se tiver um livro dois, afinal, criança agindo como adulto realmente é demais. Apesar de ter lido toda sua analise, infelizmente o livro continua não chamando minha atenção, mesmo que apesar das suas ressalvas seja uma boa história, acredito que não seja uma livro para mim. Enfim, a resenha esta ótima, adoro suas resenhas!

    Da Imaginação à Escrita

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  11. Oiee Nathália ^^
    Poxa, é uma pena que o livro não tenha conquistado muito *-* também já aconteceu comigo de criar expectativas demais e acabar decepcionada. Eu gostei bastante desse livro, achei diferente e interessante, gostei da história e dos personagens (mais de uns do que dos outros, como sempre), e estou bastante curiosa para ler "Utopia", a continuação. Espero que seja ainda melhor ♥
    MilkMilks
    http://shakedepalavras.blogspot.com.br

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  12. Eu estava me perguntando o porquê do subtítulo "Não estamos vestidos para lutar", hehe, achei curioso isto, não posso dizer que compreendi, mas acredito que sim.
    Pois é, o fato de um livro ser rápido demais no desenrolar da trama acaba por atrapalhar mesmo, assim como quando há muita enrolação o livro fica chato, ou seja, tem sempre os dois lados.
    Assim como você, acontece de eu não me afeiçoar com as mocinhas as vezes, é normal.
    Eu não li este livro, não curto distopia, mas achei este detalhe do 'futuro' ter início em 2016 beeem interessante e realmente preocupante.

    Beijo, Van - Retrô Books
    http://balaiodelivros.blogspot.com.br/

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  13. Oi Nath!
    Não sou muito fã desse tipo de leitura, uma distopia com fantasia, pelo que parece! Mas gostei da ideia de ser bem real, ou seja, eu leria o livro apesar de não ser dos meus gêneros preferidos.
    Gosto muito quando os livros trazem críticas aos preconceitos, coisa que todos abominam e deveria acabar!
    Valeu a dica!
    Beijos!

    Karla Samira
    http://pacoteliterario.blogspot.com.br/

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  14. Isso de ser corrido às vezes gosto outras não. Não gosto de muitos detalhes, mas também não gosto de ter as coisas pela metade, sabe? Acho que tem que saber equilibrar, rsrs. Sobre a distopia em si, que pena saber que ela não é tão forte e tal. Vou ler mesmo assim, pois quero tirar minhas próprias conclusões, mas já sei que é melhor ir com calma. rs
    beijos
    www.apenasumvicio.com

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  15. Expectativa frustrada é um saco, ultimamente tenho tentado não prever nada do que vou achar de um livro que é paranão cair do cavalo kkkkkk. Nath não tenho tido mito animo com distopias ultimamente, estou com Cidade Banida aqui em casa para ler mas me dá uma preguiça, as vezes por esperar que seja algo mais forte, em outras vezes por estar cansada do mesmo molde (sociedade totalitarista/militarista e afins), esse clichês meio que já me cansartam.
    Achei válida as questões das críticas que a autora aborda, ainda mais levando-se em consideração que ela não pega pesado com isso e fica natural na narrativa.
    Percebi aqui que talvez essa distopia tenho um quê a mais, já que vc diz até os governantes tem suas limitações. Bom, diante de tudo o que vc disse estou em dúvida aqui, mas sou a rainha do receio então só vou me deidir a ler qdo tiver o livro em mão, ou seja, bem difícil rs

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  16. Ei, tudo bem?
    Eu estava muito animada para ler esse livro, apesar de não ser fã do gênero distopia. Gostei da sua resenha e já fiquei mais curiosa por saber que os capítulos são alternados e por ter entendido um pouco melhor sobre o que se trata a história, visto que eu não sabia quase nada. Os pontos que falou são relevantes e realmente espero que eles melhorem numa próxima edição. Adoro os livros da Arwen, tem uma qualidade incrível.

    Beijos, Gabi
    Reino da Loucura

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  17. Oie, Nathalia!
    Eu sempre imaginei que essa história seria mais pesada também, mas pelo jeito ela é um YA distópico. Bom saber, pois quero muito ler. A forma da narrativa me lembrou um pouco Legend, pois temos uma divisão parecida. Garota classes altas e garoto classes baixas.
    Anna - Letras & Versos

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  18. Oii Naty! Tudo bem? Fiquei muito feliz em ler sua resenha, afinal, ainda que você tenha citado vários pontos que a desagradaram, achei uma resenha sincera. Deixei sim alguns ganchos para o próximo livro, Utopia, por isso creio que se você resolver dar uma chance pra ele, conseguirá ver solucionadas algumas questões. Quanto aos pontos negativos que levantou, sempre analiso todos e tento melhorar. Obrigada por isso! Adorei também seu blog, parabéns!

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