23/02/2015

Resenha: Andorinhas - Nana Moraes




Título: Andorinhas
Autor: Nana Moraes
Editora: Nau Editora
Páginas: 156


Nana Moraes, respeitada fotógrafa do mercado editorial e publicitário, surge com um novo desafio em sua carreira. Lança em parceria com a Nau editora, o livro Andorinhas. Com uma câmera Leica M7, uma lente 50mm e filmes preto e branco, Nana desvela as vidas de cinco mulheres que trabalham como prostitutas na Rodovia Presidente Dutra, principal estrada do país, que liga o Rio de Janeiro a São Paulo.
No livro, além de fotografias em preto e branco, destacam-se imagens denominadas fototinta, técnica mista que Nana desenvolve desde 1997, onde tinta e fotografia se unem e novos retratos surgem coloridos. Esse recurso expressa a intensidade do envolvimento da fotógrafa, ao mergulhar profundamente neste universoNana que também é jornalista por formação, escreve os textos que acompanham as fotos, completando este trabalho tão delicado quanto marcante.

O livro de 156 páginas conta com prefácio do cineasta Walter Salles e orelha de Margarida Pressburger, presidente da comissão de direitos humanos da OABRJ e representante do Brasil no subcomitê de prevenção à tortura em locais de privação de liberdade, da ONU. 


Andorinhas é um trabalho fotográfico e um documentário, que Nana Moraes faz com 5 prostitutas. É um trabalho incrível e de extrema sensibilidade.
Não tenho palavras pra descrever Andorinhas, foi um livro que eu ganhei, não me interessava e acabei adorando. Conhecer mais sobre cada uma das andorinhas - ou prostitutas, como queira chamar - foi uma experiência diferente e boa. Ver que essas mulheres são acima de tudo isso, MULHERES, fortes, alegres e de bem com suas vidas. Mulheres que vem o lado errado da sua profissão sim, mas que nos fazem enxergar o lado delas, os seus motivos, suas ideias, sua vida. Afinal, essa é a profissão mais antiga do mundo, não é proibida, que mal há? 

Conhecemos Doroth, Bétissa, Simone, Gerenilza e Roseli, e ficamos sabendo como cada uma entrou nessa vida, a relação que tem com suas famílias, o que acham da sua profissão e da sua vida, seus planos para um futuro próximo ou distante. Vemos o sofrimento, seus medos, suas alegrias. Podemos ver claramente que elas desconfiavam do trabalho de Nana no começo, mas ao se acostumarem com a fotógrafa, e criarem uma certa afeição com a mesma, as cinco se soltaram e falaram abertamente sobre sua vida, criaram uma amizade com Nana a ponto de chamá-la quando precisavam de ajuda ou queriam compartilhar alguma felicidade. 

Não importa se você é contra ou a favor da prostituição, esse livro é bem capaz de fazer você sentir simpatia por pelo menos essas cinco mulheres. 
A edição do livro é uma coisa a parte. As folhas são bem grossas, não saberia dizer que tipo de folha é ou coisa do tipo, creio que seja um tipo de folha específico para fotos. O livro não tem numeração de páginas, mas isso não é um problema. Algumas partes são narradas pela Nana e outras pelas andorinhas.
Andorinhas creio que seja um trabalho pouco conhecido no meio da blogosfera literária e isso é uma pena, um trabalho magnífico desses devia receber mais atenção.





















3 comentários:

  1. Caramba!
    Fiquei muito interessada nesse livro Nat, seria uma boa eu achar ele em algum canto e levá-lo pra faculdade <3 e fazer algum trabalho em cima dele.
    E pergunta, todas as andorinhas são negras?

    Beijos
    ~nathália
    www.livroterapias.com

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    Respostas
    1. Pois é, pra você seria legal um trabalho com ele, pena que é olho da cara esse livro (sorte que eu ganhei muahushush)
      Não, mas a maioria sim, das 5 pelo que eu percebi nas fotos, só 1 é branca.

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  2. Olá, Nathalia.
    Eu amo livros com esse toque de análise crítica e premissa bem sociológica, então acho que tenho tudo para gostar da obra. Uma pena apenas ser tão caro.
    Mas, assim que possível, vou conferir o livro. Adorei!

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